Um texto de Henri Nouwen para cada dia da Quaresma

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38. Aceita a tua identidade de filho de Deus

Ser filho de Deus é a tua verdadeira identidade, que deves aceitar. Quando a tiveres assumido e integrado em ti, poderás viver num mundo que te oferece muito mais alegria, bem como mais sofrimento. Podes receber o elogio e a censura que vêm ao teu encontro como uma oportunidade para fortalecer a tua identidade básica, porque a identidade que te torna livre enraíza para além de todo o elogio ou censura humanas. Pertences a Deus e é como filho de Deus que és enviado ao mundo. Precisas de direcção espiritual; precisas de pessoas que te mantenham ancorado à tua verdadeira identidade. A tentação de te desligares desse ponto profundo onde Deus habita e te deixares abafar pelo louvor ou pela censura do mundo está sempre presente. Uma vez que desconheceste durante muito tempo esse local da tua identidade de filho de Deus, os que são capazes de te tocar nesse ponto tiveram um poder repentino e esmagador sobre ti. Tornaram-se parte da tua identidade. Já não eras capaz de viver sem eles. Mas eles não podiam desempenhar esse papel divino, por isso deixaram-te e sentiste-te abandonado. Mas foi precisamente essa experiência de abandono que te fez realizar de novo a tua verdadeira identidade de filho de Deus. Só Deus pode habitar esse lugar profundo e dar-te uma sensação de segurança. Mas o perigo permanece, se deixares outros roubarem-te o teu centro sagrado, o que te mergulhará na angústia. Talvez seja preciso muito tempo e disciplina para reconheceres inteiramente o teu ser profundo e escondido e o teu ser público, que é reconhecido, amado e aceite, mas igualmente criticado pelo mundo. Contudo, começarás a sentir-te gradualmente mais ligado e capacitar-te-ás mais cabalmente de quem verdadeiramente és – um filho de Deus. Aí reside a tua verdadeira liberdade. – Henri Nouwen, em A voz Íntima do Amor