Um texto de Henri Nouwen para cada dia da Quaresma

31. Reconhece a tua impotência

31. Reconhece a tua impotência

Existem em ti lugares onde estás completamente impotente. Desejas tanto curar-te, lutar contra as tuas tentações e controlar-te. Mas não consegues fazê-lo sozinho. Sempre que tentas, ficas com menos coragem. Assim, deves reconhecer a tua impotência. Este é o primeiro passo dado pelos Alcoólicos Anónimos e o tratamento de todas as dependências. Talvez possas encarar o teu conflito deste modo. A tua necessidade inexaurível de afecto é uma dependência. Governa a tua vida e vitimiza-te. Começa simplesmente por admitir que não te podes curar a ti mesmo. Precisas de admitir a tua impotência para que Deus te possa curar. Mas não se trata de facto de um problema de antes e depois. O teu desejo de reconhecer a tua impotência já engloba o início da rendição à acção de Deus em ti. Quando te sentes incapaz de detectar a presença curativa de Deus, o reconhecimento da tua impotência é demasiado assustador. É um salto sem rede. A tua predisposição para te libertares do desejo de controlar a tua vida revela uma certa confiança. Quanto mais renuncias à tua obstinada necessidade de manter o poder tanto mais entrarás em contacto com Aquele que tem o poder de te curar e guiar. E quanto mais contactares com esse poder divino tanto mais fácil será confessar a ti próprio e aos outros a tua impotência básica. Umas das maneiras de te apegares a um poder imaginário é esperar alguma coisa de gratificações externas e de acontecimentos futuros. Enquanto continuares a fugir de onde estás e te abstraíres a tua cura total não ocorrerá. Uma semente só floresce mantendo-se no terreno onde foi plantada. Quando se escava continuamente o local onde a semente foi colocada para verificar o seu crescimento ela nunca dará fruto. Pensa em ti mesmo como uma pequena semente semeada em solo fértil. Tudo o que precisas fazer é manter-te aí e confiar que o solo contém tudo o que precisas para crescer, crescimento esse que ocorre mesmo quando não o sentes. Fica sossegado, reconhece a tua fragilidade e confia que um dia saberás quanto recebeste. – Henri Nouwen, em “A Voz Íntima do Amor”