Quanta cultura local a liturgia pode tolerar? Um subsecretário do Dicastério para o Culto Divino apela aos novos bispos em territórios de missão para que exerçam cautela: promovam o que for útil e refreiem o que ainda não estiver maduro.

11 Setembro 2026
Cortesia de
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A informação é publicada por Katholisch.de, 10-09-2026.
O bispo espanhol Dom Aurelio García Macías, subsecretário do Dicastério para o Culto Divino, exortou os bispos recém-nomeados em territórios de missão a exercerem cautela na inculturação da liturgia. “Não devemos transformar a liturgia em um museu de formas imutáveis, nem em um laboratório experimental constante”, disse García Macías, segundo a agência de notícias polonesa KAI, durante o curso introdutório para novos bispos em Roma. Um bispo não deve agir como um “policial litúrgico”, mas precisa da coragem “tanto para promover o que é verdadeiramente útil quanto para refrear o que ainda não está totalmente desenvolvido”, acrescentou García Macías.
O bispo advertiu particularmente contra inovações desnecessárias, sincretismo e folclorização da liturgia. Lembrou à congregação que, segundo a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II (1962-1965), as mudanças na liturgia não devem ser introduzidas a menos que se mostrem benéficas para a Igreja. Ao mesmo tempo, não basta simplesmente incorporar elementos da cultura local, como uma canção ou dança tradicional, na liturgia. Os elementos culturais não devem aparecer na liturgia por serem visualmente impactantes, mas sim para servir ao mistério que está sendo celebrado.
“A liturgia não é obra nossa”
Uma inculturação bem compreendida da liturgia pode servir à evangelização, pois permite às pessoas descobrirem que Cristo “não lhes é estranho”, disse García Macías. “Em última análise, a liturgia não é uma criação nossa. É Cristo quem continua a agir em sua Igreja.”
Na semana passada, teve início em Roma o chamado “Curso para os Novos Bispos” para bispos de todo o mundo que foram nomeados nos últimos meses. As sessões de formação terminam nesta quinta-feira. Ao todo, 147 bispos participaram desta edição. Eles foram divididos em dois grupos: 49 participaram do curso oferecido pelo Dicastério para a Evangelização, voltado para bispos em territórios de missão sob a jurisdição do dicastério, como na Ásia, África e América Latina.
No total, 98 membros do clero participaram do curso organizado pelo Dicastério para os Bispos. Entre eles, de regiões de língua alemã, estavam D. Josef Grünwidl (de Viena), D. Joshy Pottackal (bispo auxiliar de Mainz), o administrador diocesano e bispo auxiliar D. Martin Marahrens (de Hildesheim) e bispo eleito D. Johannes Zehe (de Hamburgo).