Caros amigos,
O Natal chegou pontualmente, como todos os anos. Um acontecimento que desafia e provoca a rotina cinzenta do nosso quotidiano. Uma graça que encontra resistência em nós e é ameaçada por tentações particulares. Este ano venho compartilhar com vocês … precisamente as minhas tentações! Me ajudareis a vencê-las!

A primeira é a imobilidade. Esperei por este Natal na minha cadeira de rodas. Ele chegou e receio que vá embora e eu permaneça aqui imóvel, sem que nada mude. A ESPERANÇA de alguma mudança foi desapontada muitas vezes. Peço boleia, deixando-me levar pela comunidade, pelos ritos, pelas celebrações … Mas sei que sem caminhar como os pastores e os Reis Magos não há Natal. Paralisado, peço ao Espírito Santo que me conceda as suas asas de águia. (Isaías 40,31)

Mas existe uma tentação ainda mais insidiosa. A do escândalo! Se a distância de Deus era um obstáculo para mim, agora sua proximidade me escandaliza! Um Deus criança, frágil, indefeso, mortal, é demais para a minha frágil . Um Deus que tem fome e chora, enquanto eu esperava que ele enxugasse as nossas lágrimas. Um Deus juiz que, em vez disso, se torna um réu! Aquele que deveria acabar com a injustiça, ao invés, a sofre! Que Deus é ele ?! Nós realmente teríamos esperado outro! Na minha consternação, peço ao Senhor Jesus a primeira bem-aventurança: Bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim! (Mateus 11,6)

Mas não para por aí! Deus põe à prova também o meu AMOR instável! Ele chega mascarado, incógnito! Torna-se o estrangeiro que afirma ter o direito da cidadania em meu coração! Proclama a fraternidade universal! Mas como é possível?! Este Natal dele é definitivamente demasiado revolucionário e subversivo! Com o coração petrificado, a única esperança que me resta é pedir ao Pai que cumpra a sua promessa: Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. (Ezequiel 36,26)

Pai, não nos deixeis cair na tentação de desperdiçar a graça deste Natal!

Mesmo se Cristo nascesse mil ou dez mil vezes em Belém,
de nada servirá se Ele não nascer pelo menos uma vez no teu coração.
(Angelus Silesius,1624-1677)

P. Manuel João, comboniano

Natal de 2021 – Castel d’Azzano (Verona)