anjo

Venha o teu anjo amparar nosso passo vacilante
mesmo se parecemos pessoas tão seguras de si
Venha reparar o azul
que a cada momento em nós soçobra
Desfazer a armadilha do desânimo
e o negrume das lamúrias
que são mais tristes porque nos impedem
de receber cada manifestação da Vida com um sorriso

Venha o teu anjo lembrar-nos que estamos a nascer
apesar dos nossos cansaços, derivas ou descrenças
Que a vida minúscula que quotidianamente abraçamos
não deixa nunca de ser um parto
mesmo se não vemos como, nem percebemos tudo

Venha o teu anjo ajudar-nos a dizer Natal
e a fazer disso verdade.

Texto: José Tolentino Mendonça
Imagem: Rui Aleixo (det.)
Fonte: Capela do Rato, Lisboa
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