FP portugues 12/2016 (3)

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Advento: saudades do futuro!

Advento é tempo de espera, vigilância, preparação e de chegada. Tempo litúrgico onde o suspiro da expectativa e da esperança não fica sem resposta. Advento é um brado de esperança.

A Vinda de Cristo é o grande evento que agita os corações, sacode as inteligências, inquieta as pessoas e move as estruturas… para uma espera e um encontro surpreendente. É a “mística da gravidez” que cria em nós uma atitude permanente de espera, fazendo-nos crer na força escondida da vida que continuamente está para nascer.

Quem vive o Advento não é prisioneiro da “cotidianidade”, pois mantém o olhar fixo no horizonte, para a revelação da glória de Deus. Se o presente é sem sol, ele está certo da aurora! É tempo de redescobrir quem somos, o que queremos e para onde vamos.

Deus quebrará seu silêncio, a noite escura será iluminada, a primavera substituirá o inverno e o cristão guarda em si o fogo do Espírito Santo, que o mantém sempre vivo, forte e aberto ao futuro. Como o sentinela situado estrategicamente em lugares altos e de amplos horizontes, recebemos a delicada missão de observar, vigiar, discernir e anunciar, para defender a vida do povo.

Mas não basta captar os sinais, devemos também interpretá-los, quando não são claramente perceptíveis, no horizonte longínquo. Outra missão do sentinela, além de olhar, discernir é anunciar o que vê. Esta atitude de permanente vigilância, de contínua conversão do olhar, é constitutiva da vocação cristã.

Como seguidores de Jesus, somos chamados a ser permanentemente, na Igreja e no mundo, sentinelas do Reino, capazes de discernir com lucidez e perspicácia as interpelações e os desafios que surgem no horizonte da história.

Vigiar é ousar renascer, vir-de-novo, recomeçar. Nessa vigilância vislumbramos o decisivo: vivência da ternura, reinvenção da vida, despertar de sonhos e a gratuidade amorosa.

O difícil é esperar. “Desespero é fácil, e uma grande tentação!” (Péguy).

Com essa espera de Deus, com essa esperança, o cristão pode dar sabor à sua vida. A esperança tem suas raízes na eternidade, mas ela se alimenta das pequenas coisas da terra.

O Advento revela segredos futuros, é o ponto final quando todos seremos acolhidos por Aquele que nos espera e nos quer “eternos”. Porque Ele é “terno” e disso temos saudades!

Uma pergunta: O que você “vislumbra” no seu horizonte pessoal, eclesial e social?

– Pe. A. Pallaoro sj