Reflexão sobre a Mensagem do Papa Leão XIV para o
100º Dia Mundial das Missões

«Um em Cristo, unidos na missão»
Esta catequese insere-se na celebração do centenário do Dia Mundial das Missões (1926-2026), um caminho que nos convida a renovar com alegria e zelo o fogo da nossa vocação missionária.
1. Oração inicial
«Espírito Santo, Amor divino, acende em nós o fogo da vocação missionária. Concede-nos corações unificados em Cristo e comunidades reconciliadas para que, unidos num mesmo sentimento, possamos avançar juntos no compromisso da evangelização nesta nova era missionária. Amén».
2. Textos de referência
João 17, 21:
«Que todos sejam um: como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que também eles sejam um em Nós, para que o mundo acredite que Tu Me enviaste».
Christifideles laici, 32:
«A comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si, interpenetram-se e implicam-se mutuamente, a tal ponto que a comunhão representa ao mesmo tempo a fonte e o fruto da missão: a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão».
Documento final do Sínodo: «Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão», 32
A sinodalidade não é um fim em si mesma, mas aponta para a missão que Cristo confiou à Igreja no Espírito. Evangelizar é «a missão essencial da Igreja […] é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade profunda» (EN 14). Estando perto de todos, sem distinção de pessoas, pregando e ensinando, baptizando, celebrando a Eucaristia e o sacramento da Reconciliação, todas as Igrejas locais e a Igreja inteira respondem concretamente ao mandato do Senhor de anunciar o Evangelho a todas as nações (cf. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15-16). Valorizando todos os carismas e ministérios, a sinodalidade permite ao Povo de Deus anunciar e testemunhar de forma autêntica e eficaz o Evangelho às mulheres e aos homens de todos os lugares e tempos, tornando-se «sacramento visível» (LG 9) da fraternidade e da unidade em Cristo desejadas por Deus. Sinodalidade e missão estão intimamente ligadas: a missão ilumina a sinodalidade e a sinodalidade impulsiona a missão.
3. Reflexão: A fonte e o fruto da missão
No centro da nossa fé não há um conjunto de ideias, mas uma vida em união com Cristo. Esta união é como a dos ramos na videira: dela brota a comunhão entre nós e nasce toda a nossa fecundidade missionária.
- A unidade é para a missão: o Papa recorda-nos que a unidade dos discípulos não é um fim em si mesma; o seu propósito é que o mundo acredite. O anúncio do Evangelho só tem força comunicativa quando nasce de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária.
- Comunhão, não uniformidade: Estar «unidos na missão» não significa que todos sejamos iguais. É a convergência de diferentes carismas, culturas e espiritualidades que colaboram harmoniosamente para tornar visível o amor de Cristo.
- Cristo no centro: Ser um em Cristo significa manter o olhar fixo n’Ele, para que seja o centro da nossa vida pessoal e comunitária. Sem o anúncio do Seu nome, vida e mistério, não há verdadeira evangelização.
4. Fichas de Trabalho (em grupo ou individual)
N.º 1: O Fundamento – «In Illo Uno Unum» (No único Cristo somos um)
Objectivo: Compreender que a missão não é uma estratégia humana, mas fruto da união espiritual com Cristo.
- Texto para reflexão: Ser cristão não é principalmente um conjunto de ideias ou práticas, mas uma vida em união com Cristo, participando da Sua relação filial com o Pai. Como ramos na videira, a nossa fecundidade missionária depende de «permanecer» n’Ele. O Papa recorda-nos o lema In Illo uno unum: quanto mais nos unimos a Cristo, mais nos unimos uns aos outros.
- Perguntas para o grupo:
- No nosso serviço pastoral, damos prioridade ao «fazer» actividades ou ao «permanecer» na oração e nos sacramentos para que Cristo actue em nós?
- Como podemos fortalecer a nossa identidade como comunidade que nasce da Trindade e vive para a fraternidade?
- Dinâmica sugerida: Realizar um momento de silêncio diante de uma imagem da videira e dos ramos, pedindo a graça de uma «comunhão recíproca» que seja fonte de missão.
N.º 2: O sentido do centenário – 100 anos «para que o mundo creia»
Objectivo: Valorizar a história do Dia Mundial das Missões e o seu propósito evangelizador.
- Texto para reflexão: Em 1926, o Papa Pio XI instituiu este Dia para unir toda a Igreja no apoio às missões. Ao celebrar estes 100 anos, recordamos que a unidade dos discípulos não é um fim em si mesma, mas está ordenada à missão: «para que o mundo creia» (Jo 17, 21). O anúncio do Evangelho só tem força comunicativa quando nasce de uma comunidade reconciliada e solidária.
- Perguntas para o grupo:
- De que maneira as nossas divisões ou «fragmentação de esforços» enfraquecem o testemunho que damos àqueles que não conhecem Cristo?
- O que significa para nós que a missão seja uma «acção coral, comunitária e sinodal»?
- Compromisso do grupo: Identificar uma situação de conflito ou divisão na pastoral local e propor um gesto de reconciliação para «curar» o testemunho missionário.
N.º 3: A Rede Missionária – OMP e o testemunho ad gentes
Objectivo: Conhecer e colaborar com as Obras Missionárias Pontifícias (OMP) como sinal de comunhão universal.
- Texto para reflexão: O Papa Leão XIV agradece às OMP por serem um sinal vivo da unidade eclesial. Destaca marcos importantes deste ano, como o 100º Dia Mundial das Missões, os 200 anos do Rosário Vivo da beata Pauline Jaricot e os 110 anos da União Missionária Pontifícia. As ofertas do Dia Mundial das Missões não são um simples donativo, mas são confiadas ao Papa para responder às necessidades reais das missões em todo o mundo. O mundo actual «continua a precisar de testemunhas corajosas» que deixem tudo para anunciar o amor de Deus.
- Perguntas para o grupo:
- Conhecemos o trabalho das quatro Obras Missionárias Pontifícias e como elas apoiam os missionários ad gentes?
- Como podemos promover na nossa comunidade «novas vocações missionárias» dispostas a levar o Evangelho a lugares difíceis ou distantes?
5. Testemunhos de vida
A história da Igreja foi escrita com a dedicação de testemunhas corajosas que compreenderam que Cristo é a maior riqueza que se pode partilhar:
- São Francisco Xavier: Deixou a sua terra, a sua família e toda a segurança para levar o amor de Deus a lugares difíceis e culturalmente distantes.
- Beata Pauline Marie Jaricot: Fundadora da Obra da Propagação da Fé, que idealizou o Rosário Vivo, unindo os fiéis em grupos de oração para sustentar as necessidades espirituais da missão.
- Beato Paolo Manna, fundador da União Missionária Pontifícia, zeloso na missão ad gentes e na animação e formação missionária, com o lema: “Toda a Igreja pela conversão do mundo inteiro”.
- São Francisco de Assis (+ 1226, há 800 anos): “O Amor daquele que tanto nos amou deve ser grandemente amado”.
- Santa Teresa de Lisieux, que decidiu continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: “No céu, desejarei o mesmo que agora na terra: amar Jesus e fazer com que Ele seja amado”.
- Missionários ad gentes de hoje: Pessoas que continuam a entregar-se com alegria, apesar das adversidades e conflitos, lembrando-nos que o mundo continua a precisar de testemunhas corajosas.
6. Proposta didáctica
Trabalho individual (momento de interiorização)
- Exame de comunhão: Reflicta sobre as suas relações interpessoais. Existem conflitos, polarizações ou incompreensões que enfraquecem o seu testemunho cristão?
- Permanecer na videira: Que espaços de escuta da Palavra e da graça dos sacramentos está a cultivar para que Cristo viva verdadeiramente em si?
Trabalho em grupo (momento de comunhão)
- Olhar de fé: Partilhem como podem aprender a olhar para os seus irmãos da comunidade com «olhos de fé», reconhecendo com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um.
- Criatividade missionária: Dialoguem sobre formas concretas e criativas de colaboração entre os diferentes grupos da vossa paróquia ou comunidade para evitar a fragmentação de esforços.
7. Acções concretas como resposta
Como fruto desta catequese, propõem-se as seguintes acções:
- Fortalecer a rede de oração: Retomar ou aderir à iniciativa do Rosário Vivo para rezar pelas necessidades dos missionários.
- Colaboração com as OMP: Apoiar com gratidão e generosidade as Obras Missionárias Pontifícias (Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária), sobretudo durante o mês de Outubro, através de orações, sacrifícios e donativos por ocasião do Dia Mundial das Missões, “cujas ofertas recolhidas anualmente são por ela [Obra da Propagação da Fé] distribuídas, em nome do Papa, para as várias necessidades da missão da Igreja”.
- Compromisso ecuménico: Buscar gestos de aproximação e oração com outras Igrejas cristãs para testemunho e anúncio conjunto de Cristo, “aproveitando também as oportunidades suscitadas pela comum celebração do 1700º aniversário do Concílio de Niceia”.
8. Oração Final (Oração proposta pelo Papa Leão XIV):
«Pai santo, concede-nos ser um em Cristo, enraizados no Seu amor que une e renova. Faz com que todos os membros da Igreja estejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos em dar testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando cada dia o Teu amor fiel por cada criatura. Abençoa os missionários e missionárias, apoia-os nos seus esforços, preserva-os na esperança. Maria, rainha das missões, acompanha o nosso trabalho evangelizador em todos os cantos da terra. Amén».