“No fervor do espírito do Natal do Senhor, temos que nos voltar ao sentido da vida; não só a nossa, como a de cada ser humano, desde a sua concepção até o seu fim natural. Pois, ela é algo estranho e espantosamente querido”, escreve o padre Matias Soares, pároco da paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório-Natal/RN, Capelão da UFRN.

Photo by SHAHBAZ AKRAM on Pexels.com

Matias Soares
07 Janeiro 2026
Cortesia de
http://www.ihu.unisinos.br

No contexto das celebrações natalinas, tenho a oportunidade de tornar letra um ensinamento que apresento aos familiares das crianças, às quais batizo com frequência: “Na contemplação do rosto de uma criança, sempre temos a oportunidade de confirmar a nossa fé na existência de Deus”. Que milagre do Criador, com a participação humana! Uma das grandes questões a serem meditadas, não só pelos cristãos, como também por todo e qualquer ser humano de discernimento e com seu reto uso da racionalidade, é a da sublimidade da vida, com seu mistério e sua beleza. A vida humana, que está envolta numa Ecologia Integral (Laudato Si’, cap. IV), é o mais belo dom que o Criador projetou (Gn 1,27) e ofereceu à realidade organizada. Com todo o seu significado metafórico, o Senhor nos abençoou com vontade e inteligência. Nos fez livres e capazes de amar. Não somos um amontoado de células desconexas e fadadas ao acaso; mas somos um organismo atraído por um Fim Último, que nos torne bem aventurados – felizes.

No fervor do espírito do Natal do Senhor, temos que nos voltar ao sentido da vida; não só a nossa, como a de cada ser humano, desde a sua concepção até o seu fim natural. Pois, ela é algo estranho e espantosamente querido. Como é bom viver! Tenho ‘autoridade’ para dizer isto, já que passei por uma situação de ‘quase morte’. É maravilhoso viver e, por isso, ser defensor da vida. No rosto de uma criança, temos que perceber a centelha do divino que nos fala, nos revela e nos mostra que temos uma grande responsabilidade de ser amantes de cada pessoa, de cada ser humano e defensores de tudo que seja sinal da obra do Criador. Nas celebrações natalinas, não podemos nos prender a uma história sem alma, ou conversas eivadas de fantasias. O Natal do Senhor é a vitalidade da nossa existência e ponto axial da nossa visão de mundo; é a fonte e o ápice do Espírito do tempo, que agora está qualificado e iluminado com a presença real do Emanuel – o Deus conosco (Is 14,7; Mt 1,23). O evangelista João corrobora a nossa linha de reflexão quando afirma que “a Palavra fez-se carne e veio habitar entre nós (Jo 1,14); e que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo, 14,6).

Liturgicamente, ainda teremos a Oitava do Natal como um prosseguimento destas celebrações. Entremos na espiritualidade destes momentos. Façamos um compromisso de lutar pela vida. Olhemos o rosto das pessoas, especialmente destes “Pequeninos do Senhor”. Nos encantemos com a sua pureza, honestidade e vitalidade. Voltemos as nossas mentes e os nossos corações às crianças que nestes tempos estão inseridas em contextos de guerras e outros dramas sociais. Infelizmente, a nossa condição humana, marcada pelo realidade do pecado, que faz com que, nem sempre façamos o bem; mas pratiquemos o mal (Rm 7,19), obscurece o nosso olhar e as nossas ações, que geram os tantos ressentimentos que nos afastam e nos levam a expulsar Deus das nossas vidas. Que a vivência do espírito natalino nos cure e nos fortaleça na fé e no amor. Assim o seja!