Desejo chegar até vós com uma palavra carregada da fragrância pascal.
Uma palavra, ouvida na manhã de Páscoa, ressoou em mim de forma especial: REASSEGURANTE!
A renovada celebração da Ressurreição de Jesus vem mais uma vez reassegurar-me que as suas promessas são verdadeiras: Ele permanece fiel, e o seu convite a não ter medo é realmente reconfortante – não palavras lançadas ao vento – porque Ele está sempre connosco, nos momentos belos como nos dias tempestuosos, quando parece que o nosso frágil barquinho está prestes a naufragar. Isto leva-me a exclamar com São Paulo: “Sei em quem pus a minha confiança!” (2 Timóteo 1,12).

Vivemos numa sociedade onde se procuram garantias para tudo: dos seguros mais comuns – contra doenças, acidentes, catástrofes naturais – aos mais estranhos e bizarros, como os dos VIPs que gastam fortunas para segurar uma parte do corpo… para não falar dos mais absurdos, como o seguro contra o rapto por extraterrestres! Quantos investimentos fazemos nos nossos medos!

Nós cristãos, porém, temos um seguro de vida, sem custo, gratuito, sem cláusulas-armadilha escondidas no fundo da página. O Senhor investiu tudo não nos nossos medos, mas na nossa sede profunda de vida plena, de amor verdadeiro, de liberdade autêntica. Ele próprio pagou o preço do nosso resgate e garantiu-nos a vida eterna, se confiarmos a Ele a nossa vida.

Infelizmente, o medo de ser traído ou enganado – especialmente quando a vida nos põe à prova – pode abalar as nossas certezas. É por isso que a Páscoa vem reassegurar-nos: o amor de Deus e a sua fidelidade jamais faltarão.

Para os amigos que não vejo há anos, partilho algumas notícias pessoais.
Estou bem, graças também ao “seguro” garantido pela vossa oração. A minha “baleia”, a ELA – que me mantém prisioneiro, completamente imobilizado no seu ventre –, continua a navegar em águas calmas, sem me dar grandes sobressaltos. Os incómodos são suportáveis. Sou bem assistido, com carinho. Só lamento a perca do sorriso dos lábios, ao qual dava tanto valor, que se transformou numa coisa desajeitada… Pelos vistos, não estava segurado! Mas o sorriso do coração, esse, parece estar garantido contra todos os riscos.

Concluo formulando três votos em forma de oração:

Que a celebração da Eucaristia dominical, memorial da Páscoa do Senhor, seja para nós uma constante reafirmação do amor de Deus e da beleza e bondade da vida;
Que cada um de nós se torne uma pessoa reassegurante, positiva e encorajadora para os que nos rodeiam;
E finalmente, após a perda do sorriso do Francisco, que tanto nos entristeceu, que o novo Papa seja uma presença reassegurante para a Igreja e para o mundo, como foi o Papa Francisco!

Abraço-vos com carinho,
P. Manuel João Pereira Correia