PUREZA DO CORAÇÃO
Segundo João Cassiano, a pureza do coração significa liberdade de todas as perturbações egoístas dos nossos actos espirituais. Quem tem o coração puro não utiliza Deus para si próprio, não se coloca acima de ninguém. Pureza significa abertura total a Deus, é o ser penetrado pelo espírito de Deus. E a pureza do coração, para Cassiano, significa, em última instância, amor.
O pressuposto fundamental de toda a oração é o amor. Quem ama reza. E a oração deve conduzir-nos ao amor, de forma a que o nosso coração seja cada vez mais preenchido e modificado pelo amor de Deus.
Anselm Grün, em “Bento de Núrsia – Mestre da Espiritualidade”
EXPERIMENTA O AMOR DE DEUS
“Da mesma forma que o sol aquece a pele e perpassa todo o corpo, o amor de Deus quer incidir sobre todos os poros de nosso ser. O amor de Deus não é algo meramente cognitivo; ele pode ser experimentado no contacto com a criação, com o sol que nos ilumina ou o vento que nos acaricia ternamente. O amor é sem objecto. Ele simplesmente é. Este também é um desejo que todos nós temos, o de sermos simplesmente amor.
Há aquelas pessoas visivelmente cheias de amor, totalmente permeáveis ao amor divino. Elas não estão apaixonadas por outra pessoa, mas irradiam o amor em todo o seu ser. Seu amor está presente no relacionamento com todos aqueles que elas encontram: têm a capacidade de se dirigir a cada um com total benevolência. Seu amor existe para os animais e plantas, para uma estátua ou uma pintura, assim como para a música. Está presente em cada momento. A presença destas pessoas nos faz sentir bem: irradiam amor; suas mãos têm algo de carinhoso. Não é possível descrever o que se passa connosco quando encontramos uma pessoa assim; de alguma maneira nos sentimos aceites, levados a sério, respeitados, amados; nosso coração começa a ‘degelar’; sentimo-nos livres, não precisamos ocultar nada, podemos ser realmente como somos.”
Anselm Grun, em “Abra seu coração para o amor”
SOMOS AMADOS!
“Quando revejo minha história pessoal e imagino que em todos os meus caminhos, desvios e descaminhos, Deus me amou, jamais retirou de mim Sua mão amorosa, olho para a minha infância com outros olhos; posso dar-me conta de que o amor de Deus me envolveu também lá, onde não o percebi, porque a falta de amor das pessoas me havia magoado.
Então, após a raiva e a dor pelas feridas, aumentará em mim também a noção de amar e de ser amado: mesmo com minhas chagas e em minhas chagas sempre permaneci o filho amado, a filha amada de Deus.
Seu grandioso amor nem sempre oferece apenas amparo: ele desabrocha muitas vezes, justamente quando tudo está despedaçado dentro de nós. Em meio à dor pelo fracasso damo-nos conta de que no fundo somos amados. Não ficamos delirando em virtude deste amor, mas podemos entregar-nos a ele e assim ficar bem tranquilos, humildes e livres de nós mesmos em relação à dor.”
Anselm Grün, em “Abra seu coração para o amor”