
Dois estudos publicados em revistas científicas lançam um novo alarme preocupante – O mais rápido aumento das temperaturas nos últimos dois mil anos
É o mais rápido e generalizado aquecimento global que aconteceu nos últimos dois mil anos. As temperaturas aumentam a uma taxa que nunca ocorreu antes e de maneira homogênea em todo o planeta. Este dado assombroso, que afeta cerca de 98% do território terrestre, é o resultado de duas pesquisas realizadas pela Universidade Suíça de Berna e publicadas nas conhecidas revistas científicas «Nature» e «Nature Geoscience». Ambos os estudos são baseados em dados relativos à tendência do clima, detectados ou extrapolados, durante o período que vai desde a época do Império Romano até os últimos anos do século XX.
Para reconstruir a evolução que ocorreu em cerca de dois mil anos de história climática, os pesquisadores usaram cerca de 700 indicadores diferentes, como por exemplo os anéis de crescimento das árvores ou os dados relativos à análise das calotas de gelo ou sedimentos marinhos e lacustres. “O que emerge mais fortemente dos dados desses estudos é o tema da aceleração das mudanças climáticas, de sua velocidade”. Quem afirma isso é Fábio Trincardi, diretor do Departamento de Terras e Meio Ambiente do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR) que, sobre a situação atual relativas às mudanças climáticas, acrescenta: “O impacto do homem sobre o clima é tão forte que domina tudo e o planeta responde simultaneamente em nível global”. Trincardi explica essa aceleração do aquecimento climático tomando como exemplo o mecanismo que atualmente governa o Ártico. Na região em torno do Polo Norte as temperaturas aumentaram entre 2 e 4 graus e a razão está na “superfície branca do gelo marinho ártico”, que, explica o geólogo, “reflete a radiação infravermelha e a envia de volta ao espaço, mas quando o gelo é reduzido, devido ao aumento das temperaturas, a radiação encontra o oceano escuro a absorve até o 90%, amplificando o aquecimento”.
Na “Pequena era glacial“, ocorrida entre os séculos XVI e XIX, o aquecimento afetou apenas 12% do planeta, com picos distintos nas diversas regiões. Entre 950 e 1250, uma anomalia climática levou as temperaturas a se elevarem em 40% do planeta.
No entanto, o que estamos assistindo agora representa um alcance tão extraordinário que é impossível encontrar uma situação análoga na história, pelo menos após o ano zero. Hoje, de fato, o aumento das temperaturas afeta 98% da esfera terrestre e os dados sugerem um aumento progressivo que continuará até o final do século XXI, a última data levada em consideração pelos pesquisadores suíços. Última, mas não definitiva. Assim se espera.
26 Julho 2019
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