“É um contrassenso tornar a água mera mercadoria e isso levará o mundo a um futuro ainda mais injusto e perigoso”, afirmam os organizadores do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA).
Diversas pesquisas que analisam as agressões humanas ao equilíbrio ecológico da Terra estão a perceber que o aquecimento global está perto do ponto de não retorno. Ao ultrapassar este ponto, não será mais possível impedir que as mudanças climáticas se agravem.
É preciso que um forte grito pela vida impeça que as mudanças climáticas da Terra cheguem ao ponto de não retorno. O FAMA é uma oportunidade para aumentar esse grito.
O Fórum Alternativo, que acontece de 17 a 23 de março, em Brasília (Brasil), questiona a legitimidade do Fórum Mundial da Água, que decorre na mesma cidade e no mesmo período, como espaço político para promoção da discussão sobre os problemas relacionados ao tema em escala global, envolvendo governos e sociedade civil.
De acordo com os organizadores do Fórum Alternativo: “falta independência, representatividade e legitimidade do conselho organizador, por estar comprometido com empresas que têm como objetivo a mercantilização da água. Isso significa um conflito intransponível entre interesses económicos e o direito fundamental e inalienável à água, bem comum da humanidade e de todos os seres vivos”.
“A má distribuição e a escassez são agravadas diante da apropriação da água para fins comerciais. Grandes corporações promovem um processo de mercantilização da água nos moldes usuais do mercado global: lucrar e distribuir dividendos a um reduzido grupo de investidores. Isso é inaceitável! Não se pode comprar chuva, não se pode comprar sol… É um contrassenso tornar a água mera mercadoria e isso levará o mundo a um futuro ainda mais injusto e perigoso”.