3° Domingo do Tempo Comum (ciclo A)
Mateus 4,12-23


Vocazione
Leituras do Domingo
  • 1ª leitura: Na Galileia das nações, “o povo que andava na escuridão viu uma grande luz” (Is 8,23-9,3)
  • Salmo: Sl. 26(27) – R/ O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.
  • 2ª leitura: “Sede concordes uns com os outros; não admitais divisões entre vós” (1Cor 1,10-13.17)
  • Evangelho: “Foi morar em Cafarnaum, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías” (Mt 4,12-23 ou 12-17)

“Transformai o vosso modo de pensar”
José Tolentino Mendonça

Temos neste passo do Evangelho de Mateus, que hoje lemos, o início da vida pública, da missão de Jesus. Em literatura chama-se o incipit, o lugar onde as coisas começam. A forma como se começa é programática, diz muito daquilo que é a intencionalidade do próprio Jesus. A primeira palavra de Jesus, de certa forma, é o seu programa messiânico, o seu mapa para a ação missionária que Ele vai desempenhar.

Jesus diz “Metanoiete”, a tradução aqui diz “arrependei-vos”, que é uma tradução muito na linha do Antigo Testamento. Mas verdadeiramente, “Metanoiete”, o imperativo grego, quer dizer “Metanoein”. “Metá” quer dizer mudar, ir além e “noein” vem de “nous”, que é o pensamento, a inteligência. “Ide para lá do vosso pensamento habitual, mudai o vosso pensamento, mudai a vossa maneira de pensar, a vossa maneira de julgar.” A primeira palavra de Jesus é este imperativo: “ Mudai a vossa perceção, mudai a vossa compreensão das coisas.” Jesus provoca-nos a uma nova visão da própria realidade. Jesus não vem para somar com aquilo que nós já somos, com aquilo que nós já sabemos, com tudo o que trazemos habitualmente dentro de nós. Jesus não é mais um a somar ao existente. Jesus é tudo isso mas conjugado de uma forma nova, numa atitude nova, com um olhar outro sobre nós próprios, sobre o mundo, sobre o nosso destino, sobre a nossa própria missão.

“Transformai o vosso modo de pensar.” É interessante que nós podemos ler toda a ação messiânica de Jesus a partir deste verbo. Por exemplo, Jesus fez muitas curas, muitos sinais, muitos milagres durante a sua vida pública, e esses milagres, para os doentes a quem essa ação era feita, tinham um sentido literal – os cegos viam, os coxos andavam, os leprosos eram curados. Mas aquela ação de Jesus tornava-se para os outros também uma ação simbólica, também uma espécie de chamamento. E o chamamento era a quê? Era a ver com outros olhos, era a andar de outra maneira, com outra força, com outra vitalidade, de outra forma, era sentir-se purificado de todas as lepras, era sentir-se curado de todos os assediamentos que a morte nos faz. No fundo, é esta transformação vital de nós mesmos que Jesus vem anunciar.

Nós estamos a recomeçar um ano, estamos no terceiro domingo do ano comum, temos um longo caminho pela frente, domingo a domingo, e é importante que sintamos que há algo de novo a começar em nós, que há uma proposta de mudança, uma proposta de transformação que não é feita abstratamente, para o mundo em geral, mas é feita para mim. Eu sou desafiado a ganhar outros olhos, a ganhar uma outra inteligência para olhar-me a mim mesmo, para olhar os outros, para olhar para Deus. É esse o repto de Jesus. Porque Jesus constrói a nossa compreensão do mundo, Jesus constrói uma nova atitude, uma nova arte de ser. Sintamo-nos, por isso, muito desafiados a uma desinstalação.

Para nós cristãos – o Papa Francisco fala muito disso – os nossos grandes pecados acabam por ser a autorreferencialidade. Quer dizer, nós anulamos bastante a força profética, o desassossego destas palavras no conforto de uma religião que é vivida muito pacatamente, vivida como um manual de boas maneiras, como uma ritualidade que no fundo não nos tira do sério, não nos tira o chão debaixo dos pés, não nos põe à prova, não nos faz começar de novo a vida em cada domingo, mas é quase uma experiência de manutenção e não este choque de transformação que nós vemos na palavra de Jesus. Este é o primeiro pecado, uma certa autorreferencialidade, tudo é reconduzido a nós próprios e ao nosso conforto.

Outro pecado é a mundanidade, aquilo que o Papa Francisco chama com esse nome, que é, no fundo, uma cedência ao mundo, uma cedência aos apetites, uma cedência ao consumo, uma cedência ao egoísmo materialista, que não nos faz perceber a palavra de Jesus que diz: “Transformai a vossa forma de pensar, transformai o vosso modo de estar porque o Reino de Deus tornou-se próximo, porque o Reino de Deus avizinhou-se da vossa vida.”

E o Reino de Deus o que é? É a presença de Deus, é a possibilidade de Deus, é a hipótese de Deus que é colocada com toda a força, com toda a disponibilidade na nossa vida. Deus faz-Se presente e nós o que é que vamos ser? O que é que vai acontecer a partir disso? Jesus diz estas palavras e parte para junto do mar da Galileia e ali, junto daquelas vidas, vai chamando e dizendo àqueles pescadores: “Vem e segue-Me.” E eles deixaram tudo para seguir Jesus. Uma mudança de pensamento é isto: é deixar o nosso quadro habitual de resolver a nossa vida para resolvermos a nossa vida com Jesus, a partir de Jesus, a partir do chamamento que Ele nos faz. Este “Vem e segue-me” que Jesus diz àqueles pescadores em específico, não é apenas para eles. A vocação não é apenas pensarmos a vocação do matrimónio, a vocação religiosa, a vocação dos padres. A vocação é a nossa vida, é a nossa existência. Nós temos em cada dia de nos sentir chamados, convocados, porque em cada dia Ele passa pela nossa vida. Claro que há a condição com que vamos viver e dar forma à nossa existência, mas a vida de um cristão é toda ela vocacional, é toda ela vivida como escuta de Alguém que chama por nós.

Se no dia a dia muitas vezes parece que ninguém diz o nosso nome, parece que nada nos chama, parece que apenas a vida nos engole ou que vivemos em modo de voo, em modo de pausa, a verdade é que se estivermos atentos no fundo do nosso coração, na realidade da história, nas suas circunstâncias pequenas e grandes nós vamos ouvir a voz de Jesus que passa pelo mar da Galileia da nossa vida e repete: “Vem e segue-me”. E o que é importante é nós termos aquela disponibilidade que os discípulos tiveram, deixaram tudo para seguir Jesus.

Não tenhamos dúvidas, nós temos de deixar para poder seguir. O nosso mal é querermos compactuar: sim e sim e sim e sim e às tantas, de todos os nossos “sins” não se diz um “sim”, não se diz um “sim” que seja verdadeiro. Os discípulos tiveram de deixar para seguir Jesus e nós também temos de deixar para seguir Jesus. Seguir Jesus implica deixar algumas coisas que para cada um de nós possivelmente são coisas diferentes, possivelmente nem são coisas materiais, não são coisas espaciais. São atitudes, são vícios, são círculos viciosos, são modos – é tanta coisa! São coisas que nos prendem e que no fundo nós temos de deixar para seguir verdadeiramente Jesus. Há uma radicalidade na vivência cristã que nós próprios também temos de experimentar. Um cristão é um cristão. Não é um puzzle de coisas e de valores e de memórias diferentes. Não, um cristão é um cristão.

Está agora nos cinemas este filme de Scorsese, “O Silêncio”, que adapta o belo romance de Shusaku Endo também com esse nome. É um filme muito rico que dá conversas muito interessantes. Mas uma verdade evidente é que um cristão é alguma coisa que não se consegue apagar. Ali no filme é impressionante que nem no pecado, nem sequer na apostasia, quando pelas circunstâncias históricas, pelo medo por tanta coisa nós negamos Deus, Deus nos nega. Deus não nos nega. O cristão acaba por ser alguma coisa irremovível, o elemento cristão é alguma coisa irremovível dentro de nós. Por isso, mesmo aqueles que são apóstatas podem negar a Deus e negar a Jesus mas verdadeiramente continuam à luta com Jesus, continuam naquele combate sem fim com o desejo de Deus.

Um cristão é uma coisa muito séria e para nós a memória dos mártires e a memória de todos aqueles que nos precederam também nos deve dar o alento para não reduzirmos o ser cristão apenas a uma característica, mas fazermos dessa condição um foco de vitalidade que fertiliza a nossa vida, que nos dá uma criatividade de ser que potencia aquilo que somos, que nos rasga à sede e ao desejo de infinito que nos torna buscadores, exploradores de sentido em cada dia. Ser cristão é um acelerador de partículas. Nós já não estamos mais parados, não estamos mais estagnados. Estamos sempre em movimento, estamos sempre em caminho. Jesus passa pela nossa vida e diz “Vem e segue-Me” e esse é o nosso caminho.

Pe. José Tolentino Mendonça, Domingo III do Tempo Comum

José Tolentino Mendonça
http://www.capeladorato.org

Na Galileia das nações
Marcel Domergue

A geografia não é destituída de significado

A prisão de João Batista parece ter sido um sinal para Jesus. Dali em diante, caberia a ele entrar em ação. Ele, de fato, substituiu desde então o Batista. O papel do precursor havia terminado. Mateus faz questão de precisar que João operava no deserto da Judeia, não muito distante, portanto, de Jerusalém, de onde, aliás, vinham-lhe os discípulos. Será que foi para recordar a entrada na terra prometida e a passagem milagrosa do rio (Josué 4) que o evangelista escreveu três vezes a palavra «Jordão» no capítulo que precede a nossa leitura? Tal insistência deve ter um sentido. Em todo caso, Jesus deixa a Judeia – herança de Davi, de quem é o descendente, e onde se encontra o centro do culto, Jerusalém e o seu templo – e retira-se para a Galileia. Lucas contenta-se com fazer notar o fato (4,14). Mas, para Mateus, tal deslocamento tem um significado. Cita Isaías 8,23 para nos fazer compreender que, se Jesus começa por aí a sua pregação do Reino, é porque a luz deve brotar das trevas, como escreve João em 1,4. Sabemos que, com sua população misturada e sua insignificância histórica, a Galileia gozava de má reputação. É, no entanto, nesta região que Mateus, Marcos e Lucas situam o essencial da atividade de Jesus. Para eles, Jesus só deixará a Galileia para ir até Jerusalém apenas uma vez: para morrer. João, ao contrário, menciona muitas viagens do Senhor até à Cidade Santa. Enquanto esperava, fixou-se em Cafarnaum. Foi morar ali, o que deixa supor que não era assim tão nômade como se supõe.

Os sem-direito

Aqui, podemos lembrar a escolha de Davi como o futuro rei de Israel; o menor e o último, que parecia não contar, foi o escolhido. O cenário é o mesmo para os territórios de Zabulon e Neftali, a Galileia periférica, região onde Israel se misturava com as nações. «Da Galileia não surge profeta», diziam os chefes dos sacerdotes e os fariseus, em João 7,52. Deus interveio aonde não se esperava. Os “sem-direito” é que receberam a sua visita; são eles o objeto da sua preferência, vendo-se encarregados da missão. Isto foi também o que se passou com Jacó e Esaú (Gênesis 27). Poderíamos citar muitos outros textos, particularmente com referência a José, vendido por seus irmãos, e a Moisés, que foi salvo das águas. A escolha de Pedro, Tiago e João, os primeiros discípulos, não foge a esta preferência de Deus, especialmente na versão de Lucas, na qual estes pescadores, desinteressados em ouvir o ensinamento de Jesus, consertavam as suas redes, enquanto o povo amontoava-se em volta dele. E Mateus, o publicano? Quem iria acreditar que Jesus fosse arcar com o peso de um personagem tão suspeito? A escolha de Deus não é uma recompensa pela boa conduta nem pela virtude, competência ou inteligência, mas reproduz o ato da criação, que parte do zero. E, aí, tudo recomeça. Podemos acrescentar a este dossiê a preferência de Jesus pelas crianças, despojadas e dependentes, e o conselho de nos tornarmos crianças. O que irá até à necessidade de renascer, conforme diz Jesus a Nicodemos, em João 3. Não vamos contar, portanto, com o nosso valor ou nossas qualidades, mas com a gratuidade do amor que nos faz ser. E para sermos imagens de Deus, para existirmos, portanto, vamos também nós até aos mais desprovidos de tudo, aos que não têm nenhum mérito.

O chamamento dos primeiros discípulos

Dali em diante, não se vê mais Jesus a sós, salvo vez ou outra, quando se ausenta para uma oração solitária. João Batista nunca havia pedido aos seus ouvintes para segui-lo: contentava-se com orientá-los para «aquele que viria depois dele». Jesus, ao contrário, pede-lhes que deixem tudo, pois, com ele, havia chegado o momento em que se cumpriram os tempos de espera e preparações. À luz deste chamado, aprendemos muitas coisas. Primeiro, que a ação de Deus não é nenhum constrangimento, mas que, ao contrário, exige a livre adesão: os chamamentos feitos por Cristo fizeram-se acompanhar de um «se queres», explícito ou subentendido. Aprendemos também, conforme uma velha fórmula, que Deus tem necessidade dos homens. O que Ele constrói conosco é uma Igreja, ou seja, uma comunhão. Assim, sem estes homens e mulheres que caminhavam com ele, o Cristo estaria privado do corpo. Compreendemos, enfim, que o chamamento de Cristo é um chamamento «até o fim». É uma atração exercida por Alguém que nos levará até a entrarmos em sua condição de Filho de Deus, até a nos tornarmos «participantes da sua natureza divina» (2 Pedro 1,4). O chamamento de Jesus convida-nos a segui-lo para onde ele for. Até à cruz, é claro, ou seja, até ao acolhimento das feridas que a vida nos inflige; mas não esqueçamos que a cruz não tem a última palavra e que se trata de atravessá-la, para irmos dar na vida e na alegria.

A resposta dos discípulos

Quer sigamos a Cristo ou não, conheceremos o sofrimento e a morte. O chamamento de Cristo é a promessa de atravessá-los e chegarmos à outra margem. Estes a quem Jesus chamou, na beira do lago, ainda não sabem. Mas deixam tudo para segui-lo. Deixam, diz o texto, as suas redes, o seu barco e o seu pai. A mãe não é mencionada (será em outro momento), mas impossível não pensar em Gênesis 2,24: «O homem deixará seu pai e sua mãe para se juntar à sua mulher». O chamado de Cristo tem algo de nupcial, o que se confirmará em outros textos, particularmente no Apocalipse. União na vida e na morte. Mas para a Vida. Lembremos também do ponto de partida de Abraão, ao deixar a Caldeia. Iniciava-se também aí uma história: das alianças. Pois, com Jesus, tem início a Aliança nova e definitiva. Por ela, deixando seu pai, seu barco e suas redes, Pedro, André, Tiago e João, o primeiro terço da lista dos Doze, são arrancados do seu passado. Poderia se dizer, da sua origem humana? Entram agora numa nova vida, numa nova criação: «É necessário nascer de novo», diz Jesus a Nicodemos (João 3,3). «Nascer do Espírito.» Desde então os discípulos são como o vento: não se sabe mais de onde vêm e ignora-se para onde vão. Eles próprios também o ignoram. O barco e as redes garantiam-lhes a subsistência e os punha em segurança. Pois ei-los agora sem apoio, a descoberto; na espera confiante de um alimento que ainda não conhecem (João 4,32).

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O Senhor passa pela praça
Papa Francisco

O Evangelho deste domingo narra o início da vida pública de Jesus nas cidades e aldeias da Galileia. A sua missão não começa em Jerusalém, ou seja, no centro religioso, social e político, mas numa zona periférica, uma região desprezada pelos judeus mais observantes, devido à presença naquela região de diversas populações estrangeiras; por isto o profeta Isaías a indica como «Galileia dos povos» (Is 8, 23).

É uma terra de fronteira, uma zona de trânsito na qual se encontram pessoas diversas por raça, cultura e religião. A Galileia torna-se assim o lugar simbólico devido à abertura a todos os povos. Sob este ponto de vista, a Galileia assemelha-se ao mundo de hoje: co-presença de diversas culturas, necessidade de confronto e necessidade de encontro. Também nós estamos imersos todos os dias numa «Galileia dos povos», e neste tipo de contexto podemos assustar-nos e ceder à tentação de construir recintos para estarmos mais seguros, mais protegidos. Mas Jesus ensina-nos que a Boa Nova, que Ele traz, não está reservada a uma parte da humanidade, deve ser comunicada a todos. É um feliz anúncio destinado a quantos o esperam, mas também a quantos talvez já não esperem mais nada, nem sequer têm a força para procurar e perguntar.

Partindo da Galileia, Jesus ensina que ninguém está excluído da salvação de Deus, aliás, que Deus prefere partir da periferia, dos últimos, para alcançar a todos. Ensina-nos um método, o seu método, que contudo expressa o conteúdo, ou seja, a misericórdia do Pai. «Cada cristão e cada comunidade discernirá qual é o caminho que o Senhor pede, mas todos estamos convidados a aceitar esta chamada. Sair do próprio conforto e ter a coragem de chegar a todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 20).

Jesus começa a sua missão não só por um lugar descentralizado, mas também por homens que se diriam, pode-se dizer assim, «de perfil baixo». Para escolher os seus primeiros discípulos e futuros apóstolos, não se dirige às escolas dos escribas e dos doutores da Lei, mas às pessoas humildes e simples, que se preparam com empenho para a vinda do Reino de Deus. Jesus vai chamá-los lá onde eles trabalham, nas margens do lago: são pescadores. Chama-os e eles seguem-no, imediatamente. Deixam as redes e vão com Ele: a sua vida tornar-se-á uma aventura extraordinária e fascinante.

Queridos amigos e amigas, o Senhor chama também hoje! O Senhor passa pelas estradas da nossa vida diária. Também hoje neste momento, aqui, o Senhor passa pela praça. Chama-nos para andar com Ele, para trabalhar com Ele pelo Reino de Deus, nas «Galileias» dos nossos tempos. Cada um de vós pense: o Senhor passa hoje, o Senhor olha para mim, observa-me! Que me diz o Senhor? E se algum de vós sente que o Senhor lhe diz «segue-me» seja corajoso, vá com o Senhor. O Senhor nunca desilude. Ouvi no vosso coração se o Senhor vos chama para o seguir. Deixemo-nos alcançar pelo seu olhar, pela sua voz, e sigamo-lo! «Para que a alegria do Evangelho chegue até aos extremos confins da terra e nenhuma periferia seja privada da sua luz» (ibid., 288)

Angelus s26/01/2014