32° Domingo do Tempo Comum (ciclo A)
Mateus 25,1-13
Sobre a reserva de óleo
Raymond Gravel


10 virgens


Referências bíblicas:
Primeira leitura: Sb 6, 12-16
Evangelho: Mt 25, 1-13.

Estamos chegando ao fim do ano litúrgico. Restam ainda três domingos, durante os quais vamos ouvir o último discurso de Mateus, o discurso escatológico, onde o evangelista nos conta em três parábolas, a chegada ou a vinda do Cristo ressuscitado, no final dos tempos, ou melhor, no final das nossas vidas.

  • Primeira parábola: as dez mulheres convidadas para o casamento (hoje).
  • Segunda parábola: os talentos, ou seja, os bens confiados a nós, até o retorno de Cristo (próxima semana).
  • Terceira parábola: o Juízo Final, no domingo de Cristo Rei.

Hoje, portanto, a parábola das dez mulheres convidadas para as núpcias. É uma parábola curiosa que levanta mais perguntas do que respostas. Além disso, há uma mensagem importante que devemos descobrir.

1. Seis observações sobre a parábola:

1) Diz-se que havia dez mulheres, cinco previdentes e cinco insensatas. Muitas vezes há um julgamento moral sobre as mulheres da parábola: as previdentes são dadas como exemplos e as insensatas são tratadas como loucas. Não deve fazer a parábola contar o que ela não quer dizer; se cinco delas são previdentes, é porque elas fizeram uma reserva de óleo, para as suas lâmpadas… ao passo que as outras cinco simplesmente não previram óleo para a reserva. A comparação não deve conter juízos morais sobre a qualidade das mulheres.

2) É uma questão de riqueza ou de pobreza para que as cinco mulheres tenham óleo em reserva e que as outras cinco não o tenham? Não! Porque as cinco insensatas vão comprar óleo com comerciantes. Portanto, se elas não o tinham não é por uma questão financeira.

3) Por que as previdentes não quiseram compartilhar seu óleo com as outras? Como caridade cristã, não é um bom exemplo… Então, para compreender esta realidade, precisamos ver quem são os personagens da parábola: o noivo é o Cristo ressuscitado e mulheres convidadas para o casamento, são a Igreja, somos nós cristãos que devemos manter nossas lâmpadas acesas para a vinda do noivo, isto é, para o momento do nosso encontro com ele. De fato, na Igreja, todos e todas temos a responsabilidade de deixar nossa lâmpada acesa. Podemos aprender com os outros, podemos acender a nossa lâmpada a partir da lâmpada de uma outra pessoa, mas o caminho de cada um é pessoal, e é aí que está o óleo para a nossa lâmpada para iluminar. Ninguém pode fazer isso por nós.

4) É compreensível que as cinco previdentes não possam compartilhar seu óleo com as outras. Mas se elas eram tão previdentes, porque não advertiram as outras, para obter óleo em reserva antes que o noivo chegasse? Mais uma vez, o caminho de cada um, na Igreja, é pessoal, e não podemos responder pelos outros, para que isso aconteça mais rápido. É como regar uma planta; não é puxá-la que ela vai crescer mais rápido. Não podemos colocar a responsabilidade sobre as costas das previdentes porque as insensatas ficaram sem óleo.

5) Para mostrar o lado humano e limitado das dez mulheres da parábola, portanto, de todos os membros da Igreja, como o noivo demora para chegar, todas elas dormiram e é à voz que grita “O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro” (Mt 25, 6), que todas elas se acordam para preparar as suas lâmpadas.

6) Por que o noivo é tão duro para com as insensatas? Ele vai se recusar a deixá-las entrar no salão das núpcias, embora tivessem sido convidadas como as outras? “Eu não vos conheço” (Mt 25,12). O que devemos entender disso? A mensagem que emerge desta dura sentença é a seguinte: não é porque eu sou batizado, não é porque eu vou à igreja todos os domingos, não é porque eu sou bispo, padre ou mesmo papa, que eu automaticamente tenho óleo em reserva e que eu posso, necessariamente, entrar e participar das núpcias eternas. No Sermão da Montanha, do mesmo Evangelho de Mateus, diante daqueles que afirmam ter feito exorcismos ou curas, Cristo diz: “Então eu vou declarar a eles: Jamais conheci vocês. Afastem-se de mim, malfeitores” (Mt 7, 23).

2. Mensagem central da parábola.

É agora que chegamos à mensagem central da parábola: qual é? É o óleo que nós colocamos na lâmpada para que possa iluminar. Mas de que é feito este óleo? Aquele que temos e que devemos manter de reserva para a nossa lâmpada, sem se apagar. A parábola diz que o noivo pode demorar. Portanto, o óleo é feito de paciência, de vigilância, de perseverança, de tolerância, de confiança e de esperança. Caso contrário, vamos ficar sem óleo e a nossa lâmpada se apagará. O óleo é, portanto, a nossa responsabilidade pessoal; é ela que acende a nossa lâmpada e que ilumina os outros. É por esta razão, se ao esperar o noivo, eu não fizer nada e esperar tudo dos outros, que eu vou ficar sem óleo e não poderei entrar no salão das núpcias, mesmo se fui convidado. Isso significa que devo praticar a tolerância, a confiança, a paciência, a vigilância e a esperança, para poder entrar no são das núpcias.

3. Uma espera responsável.

O que fazer enquanto espera o noivo? Como Igreja, como cristãos, o que devemos fazer? O Livro da Sabedoria, o livro mais recente do Antigo Testamento, pois foi escrito entre 30 e 50 d.C, nos oferece um personagem para descobrir, personificado na Sabedoria, que podemos atribuir a Deus ou ainda, para nós, cristãos, ao Cristo ressuscitado. É uma relação de amor que nos é proposta, que é descrita de muitos modos: beleza inalterável, contemplação, busca e reencontro, proximidade, cuidado, prudência, bondade e acompanhamento. Esta relação de amor proposta pelo autor vai tão longe que no capítulo 8, o Sábio irá partilhar o seu desejo de esposar a Sabedoria: “Amei a sabedoria e a busquei desde a minha juventude, e procurei tomá-la como esposa, pois fiquei enamorado de sua formosura” (Sb 8, 2).

Mas quem é essa sabedoria, a imagem da bondade de Deus? O exegeta francês Edward Cothenet escreveu: “O leitor cristão vai descobrir facilmente a figura de Cristo, que sempre dá o primeiro passo, como no poço de Jacó, para que possamos encontrá-lo.” E o Cristo que vem ao nosso encontro o faz através dos homens e mulheres de hoje, com o quem devemos construir relacionamentos de amor fraterno; com quem devemos trabalhar para restaurar a justiça; com quem devemos praticar a tolerância, a paciência, a perseverança, e com quem devemos partilhar a nossa esperança… Em suma, devemos fornecer óleo suficiente para a nossa lâmpada, para que ele possa iluminar sempre…

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